O ensino de Inglês por meio de atividades sociais

Do you like coffee? /Do you want to drink some coffee? / Would you like some coffee?

O que estas frases têm em comum, além da palavra ‘coffee’? Você consegue imaginar em qual situação do cotidiano estas frases podem ser utilizadas? Quero chamar a atenção para o fato de quando usamos cada uma destas frases no contexto de fala.

Imagine a seguinte situação: um amigo (ou amiga) que você não vê há muito tempo vem te visitar. Ou você marca de se encontrar com este amigo em algum lugar. Caso ele/ela venha a sua casa, você deseja oferecer café a ele. Para isso, você precisa saber se ele gosta ou não de café e se ele quer tomar café.

Analisando as frases de forma rápida, podemos concluir que : ‘Do you like coffee?’  seria uma frase mais direta e informal para eu saber se você gosta de café. ‘Do you want to drink some coffee?’ seria uma frase mais direta e informal para eu saber se você quer beber café. Would you like some coffee? seria uma forma mais educada de eu oferecer e saber se você quer café.

Foto por Chevanon Photography em Pexels.com

Talvez você não concorde com todos os usos e formas nas quais destaquei acima sobre estas frases, ainda mais, fora de um contexto. Talvez seu primeiro impulso foi o de traduzir as frases, certo? Exatamente por isso que o uso da Língua precisa ser visto e analisado de forma reflexiva, dentro de um contexto, considerando quem, pra quem, a quem e em quê está sendo inserida (usada). Por esta razão também, como professores de Língua Inglesa, precisamos rever o que temos ensinado em sala de aula, seja escola pública ou não, seja em escola de idiomas ou em um curso regular. Entendo que cabe a nós, professores, instrumentalizar nossos alunos, ou seja, oferecer a eles um ‘repertório’ que permita ao mesmo fazer escolhas de forma consciente e que atenda às suas necessidades. A Língua possui suas especificidades e singularidades e, o nosso aluno quer utilizar o idioma ‘now, got it?’

Sendo assim, vamos modificar um pouco a nossa situação hipotética: imagine que seu amigo não goste de café, ou que esteja muito calor e ele prefira um suco. Como ficaria o nosso diálogo?

S1: Would you like some coffee?

S2: No, thanks.

S1: Would you like some juice, water?

S2: Juice, thanks.

Para fazer esta ‘mudança’ no diálogo, é necessário considerar que a Língua está inserida num determinado ‘contexto’ uma vez que é viva e interativa, e se adapta a situação na qual os falantes a utilizam, construindo novos enunciados e significados, conforme nos ensina Liberali (2009). O uso da língua de forma normativa e linguística, somente, ensinada de forma isolada de um contexto perpetua o uso e a ‘demonização’ da gramática. Logo, o ensino de Língua Inglesa refletindo sobre o seu uso por meio de situações comunicativas (concepção dialógica de ensino) parece-nos o mais apropriado tanto em escolas públicas como privadas, resultando num aprendizado do idioma por meio de atividades sociais.

A Base Nacional Comum Curricular (2018) contempla o ensino de Língua Inglesa como língua franca, ou seja, aquela que é utilizada por vários falantes e, num conceito mais amplo, multicultural, legitimando os usos do idioma em seus contextos locais. Sendo assim, é necessário atender as necessidades do falante deste idioma uma vez que o mesmo “ ‘interpreta”, “reinventa” os sentidos de modo situado, criando novas formas de identificar e expressar ideias, sentimentos e valores’.” (BNCC 2018, pp. 241)

Assim, o ensino por meio de atividades sociais nos permite entender o uso de uma expressão, e, posteriormente, evidenciar a gramática e as formas de uso para outras pessoas. Ensinar uma expressão em seu contexto de fala terá muito mais significado ao estudante nos dias atuais, num mundo mais que globalizado, cercado de redes sociais que o convidam a interagir e se comunicar seja qual for o idioma ou a situação. Desta forma, poderemos promover:

“(…) engajamento e participação, contribuindo para o agenciamento crítico dos estudantes e para o exercício da cidadania ativa, além de ampliar as possibilidades de interação e mobilidade, abrindo novos percursos de construção de conhecimentos e de continuidade nos estudos.” (BNCC 2018, pp. 241)

Referências:

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Curricular Comum. Brasília, MEC, 2018

LIBERALI, F. C. Atividade social nas aulas de língua inglesa. 1ª Ed. São Paulo, Editora Moderna, 2009.

Giselle Santos é Professora de Língua Inglesa na Prefeitura de São Paulo há 9 anos, Pós Graduada em Práticas Reflexivas e Ensino-Aprendizagem em Língua Inglesa pela PUC/SP.

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